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Governança Corporativa e Igualdade de Gênero

1 de novembro de 2017

No mês de outubro é bastante comum ver as fachadas dos prédios comerciais iluminadas com luzes cor de rosa em homenagem ao “outubro rosa”, mês dedicado ao combate ao câncer de mama. E para a maior parte das empresas, a preocupação com a saúde das mulheres encerra-se por aí: luzes iluminando as fachadas e um e-mail às funcionárias informando sobre a importância do autoexame.

No entanto, é importante que as empresas aproveitem o mês de outubro para pensar também na posição da mulher no mercado de trabalho. O relatório Situação da População Mundial 2017, lançado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), aponta que o valor pago às mulheres corresponde a 77% do valor pago aos homens. Temos ainda que o último levantamento realizado pela Deloitte, na pesquisa “Women in the Boardroom”, mostra que apenas 15% das mulheres ocupam assentos nos conselhos de administração, e no Brasil os dados são ainda mais alarmantes: apenas 7,7% das mulheres participam na liderança das organizações brasileiras.

Tais dados apenas demonstram que a igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho está longe de ser alcançada e para mudar essa realidade é necessário que as empresas também se comprometam com a mudança. Importa ressaltar que a promoção da igualdade de gêneros dentro da empresa beneficia não apenas as mulheres de forma geral, mas as próprias empresas, como apontou o presidente da Thymus Branding, Ricardo Guimarães, no 17º Congresso do IBGC de Governança Corporativa. Para o ele, as constantes mudanças econômicas e sociais exigem que os conselhos administrativos sejam compostos por homens e mulheres, funcionando como uma comunidade, pois melhores decisões são tomadas quando diferentes pessoas analisam a questão.

Vale lembrar que a governança corporativa visa, entre outras coisas, aprimorar os processos de administração da empresa, desde iniciativas de novos projetos até decisões de tomadas estratégicas. Nesse sentido, aumentar a diversidade de pessoas que compõem o conselho administrativo é essencial para melhorar as decisões tomadas pelos gestores. Contar com conselheiros de diferentes idades e gêneros, para além de promover a igualdade de gêneros dentro da empresa, permite avaliações distintas do mesmo tema e possibilita o surgimento de novos questionamentos e soluções.

Temos, portanto, que a busca pela igualdade de gênero no mercado de trabalho é uma importante medida não apenas para melhorar a realidade das mulheres, mas também a das empresas que se tornam mais competitivas com a maior participação feminina. E a longo prazo o benefício de se alcançar essa igualdade, segundo o documento das Nações Unidas, seria um aumento da PIB per capita e dos níveis de desenvolvimento humano, com a previsão de que a promoção da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres poderia agregar US$ 28 trilhões ao produto interno bruto (PIB) global até 2025.

 

 – Charlotte Heine é advogada do escritório Bertolucci & Ramos Gonçalves Advogados.



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